23 de abr. de 2010

Separe o lixo e tenha a consciência limpa

Cada brasileiro de classe alta ou média produz de 500 a 1000 kg de lixo por ano, sendo que metade desses dejetos poderia ser reciclada.
Separar também é preciso. Há muito plástico, papel, vidro e metal sendo atirado nos sacos de resíduos orgânicos – quando não a céu aberto -, inviabilizando ou dificultando o reaproveitamento.
Gravíssimo é o comprometimento do lençol freático provocado pela decomposição do lixo tóxico: pilhas, baterias, lâmpadas, agrotóxicos, remédios vencidos, metais pesados, embalagens de inseticidas etc.
Além das águas subterrâneas, está comprometida boa parte das águas dos nossos rios e mananciais. Estudo recente da ONU é enfático ao afirmar que “mais pessoas estão morrendo de água contaminada e poluída do que todas as formas de violência, inclusive guerras”.
Ainda me encanta a espontânea adesão dos curitibanos quando da implantação da coleta seletiva, denominada Lixo que não é lixo, em 1989, tendo sido no ano seguinte laureada pela ONU. Jaime Lerner e sua equipe investiram o melhor de si - em profícua catequese - junto à população através da mídia e junto aos alunos em visita às escolas.
O aterro sanitário da Caximba, também instalado em 1989, recebe hoje 2500 toneladas de lixo por dia, em cuja composição tem-se uma parte de lixo reciclável, que ali é depositado porque o município não separou.
Os índices de reaproveitamento do lixo são incertos, pois há recolhimento deste por parte dos carrinheiros, uma categoria não organizada e de difícil mensuração.
Verdadeiros heróis da reciclagem - um número que varia de 5 000 a 10 000 na capital paranaense –, os catadores têm nessa atividade a única alternativa de sobrevivência. Causam irritação em muitos motoristas pela lentidão que provocam no trânsito ao conduzirem carrinhos com peso médio de 130 kg.
Com uma receita diária de 10 a 20 reais, exercem um nobilíssimo trabalho, pois, de acordo com a Gazeta do Povo (20/10/09), são responsáveis pela coleta de 92% do material reciclável, sendo que apenas 8% são recolhidos pelos caminhões do Lixo que não é lixo.
Sempre oportunas são as palavras de uma síndica: “muitos condôminos não separam o lixo. Faço isso com os meus funcionários e doo para os catadores. É uma ação de respeito à natureza e tem um significativo valor social”.
Isso mesmo: separar o lixo é um ato de cidadania e consciência ambiental. Não basta uma atitude compassiva, quando a solução é sermos proativos.

Jacir José Venturi
jacirventuri@geometriaanalitica.com.br
Diretor de escola e mentor do Amo Curitiba – Ações Voluntárias.

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